Extratos vegetais e óleos essenciais como controle alternativo de pragas agrícolas

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Do NotiSul

Patrícia Menegaz de Farias – Engª agrª, Msc. Dout. em ecologia e professora do curso de agronomia da Unisul – patricia_menegaz@yahoo.com.br, Joana Zamprônio Bett – Acadêmica do curso de agronomia da Unisul e bolsista de iniciação científica – agro.joana@hotmail.com

 Os extratos vegetais e óleos essenciais são definidos como compostos secundários constituídos por princípios ativos metabolizados pelas plantas. Quando as plantas encontram em situações desfavoráveis, como o estresse hídrico, o ataque de predadores e a oscilação da temperatura, entre outras condições, pode ocorrer tanto o aumento quando a diminuição de seus princípios ativos.

Os inseticidas a base de plantas apresentam características diferenciais em relação a outros métodos de controle, devido a grande disponibilidade natural de matéria-prima. Isso diminui os custos e facilita o preparo, bem como a baixa toxicidade aos mamíferos e/ou efeito residual. Algumas plantas destacam-se quando utilizadas no controle de insetos-praga.

Um exemplo é o Nim (Azadirachta indica), a qual há registros de efeitos como repelência, retardo no crescimento, ação ovicida e larvicida, redução da fecundidade e fertilidade, bem como indução à deformidades em algumas espécies de insetos, como a lagarta do cartucho do milho (Spodopterafrugiperda) e a larva minadora do citros (PhyllocnistiscitrellaStation), e também para algumas espécies de nematoides e ácaros na pecuária.

Extratos e óleos essenciais de outras plantas também são estudados, como a pimenta-do-reino (Piper nigrum), para o controle do pulgão da couve (Brevicorynebrassicae). A marcela (Achyzoclynesatureioides), a arruda (Rutagraveolens), a samambaia (Pteridiumaquilinum), o fumo (Nicotianatabacun), a urtiga (Urtica dioica) e o alho (Alliumsativum) são utilizados principalmente no manejo de cochonilhas, pulgões e ácaros em hortaliças.

Uma interessante e acessível forma de manejar os pulgões nos quintais domésticos é através da utilização de fumo de corda. A produção é simples: picar 20 centímetros de fumo de corda picado e adicionar álcool em gel até cobrir. Após o fumo absorver todo o álcool, a mistura deve ficar em um recipiente fechado e local fresco por 48 horas.

Passado este período, o preparado deve ser torcido em pano limpo, armazenado em uma garrafa pet limpa e colocado em um local escuro. Quando for utilizar, deve-se diluir este preparado em dez litros de água potável e pulverizar o extrato sobre as folhas das plantas que estão atacadas por pulgões. Ressalta-se a importância da utilização do equipamento de proteção Individual (EPI) durante o manuseio deste extrato vegetal, pois mesmo sendo de origem natural a planta poderá conter compostos tóxicos.

Estes tratamentos alternativos têm ganhado popularidade e difundido-se por meio da assistência técnica aos agricultores que buscam produzir alimentos com maior qualidade e agregação de valor, sem agredir ao meio e a si próprios.

Elaborar métodos e instrumentos que possibilitem o manejo ecológico de insetos-praga e doenças presentes em plantas cultivadas, através da bioatividade de extratos e óleos vegetais, é uma medida alternativa que visa benefícios tanto no âmbito econômico quanto da saúde humana e ambiental.

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