A ingestão dos óleos essenciais é segura?

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Texto de Beatriz Yoshimura
Apesar de ser uma técnica utilizada em alguns países, como a França, a ingestão de óleos essenciais não é indicada para pessoas que não tenham conhecimento profundo em Aromaterapia. Mesmo na França, os óleos essenciais são prescritos como se fossem remédios e apenas por médicos e profissionais habilitados. Para produzir um litro de óleo essencial, são necessários dezenas ou centenas de quilos da planta. Esse fato já demonstra o quão concentradas são essas substâncias.Além disto, cada óleo essencial é composto por dezenas de componentes químicos – alguns extremamente irritantes em contato com a pele. Através da ingestão, o óleo essencial entra em contato com membranas mucosas são muito mais sensíveis e suscetíveis à irritação.Existem outras formas de tratamento interno que não incluem a ingestão dos óleos essenciais. Por meio da massagem, o óleo essencial é capaz de penetrar na pele, entrar na corrente sangüínea e atingir o órgão desejado. Porém, mesmo quando utilizado desta forma, deve ser sempre diluído em óleo vegetal ou creme de base vegetal.

De acordo com o livro “Essential Oil Safety”, de Robert Tisserand e Tony Balacs, “é recomendável que os óleos essenciais, para serem tomados oralmente para propósitos médicos, sejam apenas administrados por médicos ou profissionais que tenham alto conhecimento de toxicologia de óleos essenciais” (pag. 32-33). “Uma desvantagem da administração oral é que alguns ingredientes de óleos essenciais podem irritar a membrana gastrointestinal (…) cujo efeito pode ser imprevisível (…) podem induzir a náuseas”.

“Alcoolismo, uso de anticoagulantes (como aspirina), problemas de coagulação, amamentação, câncer, cirrose, endometriose, epilepsia, febre, glaucoma, hemofilia, hepatite, problema nos rins, gravidez, lupus erimatosos sistêmico, problema na tiróide” (pag. 230-231) – para todas estas condições existem alguns óleos essenciais contraindicados, segundo alguns especialistas inclusive para uso externo (massagem, inalação, compressas, etc.). Porém, por via oral, a taxa de absorção do óleo essencial é muito maior (e, logicamente, mais arriscada). Como aromaterapeuta, eu não recomendo o uso por quem não tenha conhecimento suficiente para tal ou não esteja apoiado por um profissional habilitado.

O próprio Robert Tisserand, em correspondência sobre esse assunto (18/11/2009), assinalou as principais contraindicações na ingestão de óleos essenciais:

1) Pode haver interação medicamentosa caso você esteja tomando outras medicações;
2) Se você estiver grávida, pode atingir o feto;
3) O óleo essencial pode não estar diluído em uma substância apropriada para isso;
4) Você pode não estar tomando a dose correta, ou no período apropriado de tempo;
5) Se você tomar um óleo errado ou adulterado, poderá causar danos à saúde.

De acordo com Tisserand, é comum acontecerem erros na dosagem quando se trata infecções com óleos essenciais – ou usar um óleo essencial oxidado, o que pode levar a diversos problemas como reações na pele, efeito terapêutico nulo e etc. “Eu conheci uma pessoa que tinha pneumonia, decidiu se tratar com óleos essenciais e faleceu”.

Beatriz Yoshimura, TIDHA (Tisserand Institute Diploma in Holistic Aromatherapy)bia@aromalife.com.br.

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